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integridade entre o pensar, o sentir e o agir

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” Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos aquilo que prometemos, o fi…o de nossa ação que deveria estar concluída e amarrada em algum lugar fica solto ao nosso lado. Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente… ficamos amarrados às nossas próprias palavras.   Por isso os nativos tem o costume de: “por-as-palavras-a-andar” que significa agir de acordo com o que se fala; isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao Caminho da Beleza onde há harmonia e prosperidade naturais.”   Sabedoria indígena

MEDO

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Mia Couto na conferência do Estoril2001

Comemorar o Medo

O medo foi um dos meus primeiros mestres.Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas aprendi atemer monstros, fantasmas e demónios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem. Os anjos actuavam como uma espécie deagentes de segurança privada das almas.Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entresentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando meensinaram a recear os desconhecidos. Na realidade a maior parte daviolência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos,mas por parentes e conhecidos.Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam essevelho engano de que estamos mais seguros em ambiente quereconhecemos.Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditarque eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar paraalém da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meuterritório.O medo foi afinal o mestre que mais me fez desaprender.Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizontevislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura algo mesugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más doque coisas más propriamente ditas.No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa domedo tinha um invejável casting internacional. Os chineses quecomiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pelaindependência e um ateu barbudo com um nome alemão.Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas:morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantesà nossa porta, os ditos terroristas são hoje governantes respeitáveis eCarl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixoudescendência.O preço dessa construção de terror foi, no entanto, trágico parao continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome dasegurança mundial foram colocados e conservados no poder algunsdos ditadores mais sanguinários de toda a história e, a mais gravedessa longa herança de intervenção externa, é a facilidade com queas elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus própriosfracassos.A guerra fria esfriou, mas o maniqueísmo que a sustinha nãodesarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo aoriente e a ocidente e, por que se trata de entidades demoníacas, nãobastam os seculares meios de governação, precisamos deintervenção com legitimidade divina.O que era ideologia passou a ser crença. O que era políticatornou-se religião. O que era religião passou a ser estratégia depoder. Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzirinimigos é imperioso sustentar fantasmas.A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato eum batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões emnosso nome. Eis o que nos dizem:Para superarmos as ameaças domésticas precisamos de maispolícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade.Para enfrentarmos as ameaças globais precisamos de mais exércitos,mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, porexemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e deoutro lado, aprendemos a chamar de “eles”.Aos adversários políticos e militares juntam-se agora o clima, ademografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: arealidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade,imprevisível.Vivemos como cidadãos e como espécie em permanentesituação de emergência. Como em qualquer outro estado de sítio asliberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode serinvadida e a racionalidade deve ser suspensa. Todas essas restrições servem para que não sejam feitasperguntas, como por exemplo estas:
Por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria doarmamento?
Por que motivo se gastou, apenas no ano passado, um triliãoe meio de dólares em armamento militar?
Por que razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbiasão exactamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadafi?
Por que motivo se realizam mais seminários sobresegurança do que sobre justiça?Se queremos resolver e não apenas discutir a segurançamundial, teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Háuma arma de destruição maciça que está sendo usada todos os dias,
em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra, essaarma chama-se fome!Em pleno século XXI, um em cada seis seres humanos passafome.O custo para superar a fome mundial seria uma fracção muitopequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, amaior causa de insegurança do nosso tempo. Mencionarei ainda uma outra silenciada violência. Em todo omundo uma em cada três mulheres, foi ou será, vítima de violênciafísica ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que sobreuma grande parte do nosso planeta pesa uma condenaçãoantecipada pelo facto simples de serem mulheres.A nossa indignação porém é bem menor que o medo!Sem darmos conta fomos convertidos em soldados de umexército sem nome e, como militares sem farda, deixamos dequestionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. Asquestões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridadedos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer provade coerência, nem de ética nem de legalidade.É sintomático que a única construção humana que pode servista do espaço seja uma muralha, a Grande Muralha, que foi erguidapara proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha nãoevitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente morrerammais chineses construindo a muralha do que vítimas das invasõesque realmente aconteceram. Diz-se que alguns trabalhadores quemorreram foram emparedados na sua própria construção. Essescorpos convertidos em muro e pedra, são uma metáfora do quanto omedo nos pode aprisionar.Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres ericos mas não há hoje no mundo um muro que separe os que têmmedo dos que não têm medo.Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul edo norte, do ocidente e do oriente.Citarei Eduardo Galiano acerca disto, que é o medo global, edizer:Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que nãotrabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têmmedo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares;os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo dafalta de guerras e, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenhamedo que o medo acabe.

elevados poderes do ar

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já percebeu como… o desejo faz com que nossos olhos cruzem o espaco? Como a decisao de agir vence a atmosfera com a rapidez da luz?… apesar da ameaca do fogo e do nosso medo das chamas, saimos pelo teto de nossas casas. o desejo e uma forca interior. nossas bocas se abrem, cedendo passagem as torrenciais golfadas de ar, e , nossos corpos flutuam como estrelas. rimos em extase por reconhecer que o ar nutre desejos… sin, invocamos transbordantes de nossa propria essencia e prazer. sim, cantamos e voamos noite adentro.

Susan Griffin, escrevendo sobre a maneira com a qual a forca do desejo nos liberta.

compromisso

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‎”Até que você esteja comprometido, há hesitação e possibilidade de voltar atrás, sempre há ineficácia com respeito a todas as iniciativas (e criação). No momento em que há um compromisso decisivo a Providência também se movimenta. Um turbilhão de acontecimentos é desencadeado pela decisão. Seja o que for que você possa fazer ou sonhar que pode, comece. A ousadia contém em si genialidade, poder e magia. Comece agora.”

O Milionésimo Círculo – (Atribuído a Goethe).

SOL

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Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que
somos poderosos além da medida. É a nossa luz, não nossa sombra, que mais nos
assusta.

Nós nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante e talentoso?” Na realidade, quem é
você para não ser? Você representar um papel pequeno não serve ao mundo. Não há
nada de iluminado em se encolher para que outras pessoas não se sintam
inseguras ao redor de você.

Quando deixamos nossa luz brilhar, inconscientemente permitimos que os outros também
brilhem. Enquanto somos libertados dos nossos próprios medos, nossa presença
automaticamente liberta os outros.

por Marianne Williamson

 

colheita

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“no momento e que nos comprometemos a providencia divina também se põe em movimento” Goethe

“eu aceito toda a riqueza, prosperidade e magia que o universo reservou para mim, que se manifeste em minha vida a partir de agora”

“onde não há jardim, as flores nascem de um segredo investimento, em formas improvaveis.” Drummond em Campo de Flores

“a questão de todas as questões para a humanidade é o da determinação do lugar do homem na natureza e sua relação com o cosmo” Huxlay 1863

“as historias tem o poder de transfigurar o cotidiano. Elas chamam as angustias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angustia e medos ficam mais mansos.”